Ano 2018

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sábado, 28 de abril de 2018

O Teu Caderno Diário - Terapia MY DISCOVERY



O oxigénio que corre nas minhas veias

Desde muito cedo que nos ensinam a agradecer o que recebemos, a sermos gentis com os que nos dão algo. É uma retribuição, a nossa expressão de troca, de devolver uma energia semelhante à que nos deram.
Com a panóplia dos novos paradigmas, veio à superfície a melhor forma de expressar esse agradecimento: dizer obrigada, que é o mesmo que agradecer ou mostrarmo-nos gratos, isto é a manifestação profunda de nós mesmos.
Pesquisei sobre o significado e a etimologia destas palavras: obrigada e grata. Após a procura, cheguei à conclusão de que a maior diferença entre uma palavra e a outra é que obrigada é como que uma retribuição obrigada de um favor; enquanto, que estar grata, é o reconhecimento desse favor. Foi interessante que também encontrei esta explicação: do latim “gratus” é agradável, agradecido e de uma fonte indoeuropeia “gwer” significa elogiar, dar as boas-vindas, o que me fez recordar a expressão “bem-haja” que quer dizer isso mesmo.
Nalguma informação que encontrei, parece que usar o termo “grata” engloba uma maior entrega, com uma emoção mais “sentida” em contraste com o “obrigada”. Também associei, mentalmente, à forma de usar perdão versus desculpa.
Com certeza que as palavras carregam energia e a forma como são empregues transmitem ao outro, ou até a nós mesmos, a nossa intenção, um propósito. Pessoalmente, acredito que os extremos, a forma radical, que escolhemos nem sempre revela ser uma boa estratégia, pretendo com isto expressar que nos sentirmos obrigados a usar isto ou aquilo por que alguém disse que assim está correcto ou errado, não é um motivo convicto. Fazemo-lo por que foi estipulado, uma regra, uma lei. 
Ora bem, é mais “correcto” se fôr de acordo comigo e o que sinto como tal, do que pelo que o outro apontou. Deixa de ser um dogma para ser uma convicção. Esta é a conclusão que, pessoalmente, encontro para alguma diferença. Se disser obrigada ou grata com essa entrega, está tudo bem para mim, mesmo que eu tenha consciência da forma como possa ser usada pelo outro. Ao aceitar, significa que me respeito e ao outro. Isso é o crucial, para mim.
Isto leva-me a reflectir sobre outro aspecto da gratidão.
Aprendermos a agradecer, sentir gratidão pelo que conquistamos para nós (o amarmo-nos cada vez mais), por todas as experiências que vivemos, aquilo que costumamos dizer que a Vida nos traz, e por tudo o que temos.
Dar valor ao banho que tomo, à comida com que me alimento, à cama onde posso dormir, e tantos outras coisas que fazem parte do meu dia-a-dia. Dar valor aos amigos que passaram pela minha vida, e trocaram tantas coisas comigo, o convívio com eles  permitiu-me aprender e crescer. Aliás, eu olho para todas as adversidades no meu caminho dessa forma. Aprendi a colocar-me a seguinte questão, todas as vezes, que acontece algo que me faz sentir de modo desagradável ou  mesmo muito feliz: o que tenho a aprender com isto? 
Esta escolha é a forma que encontrei de usar uma das características deste planeta: a dualidade. Posso ver o benefício do que surge na minha caminhada de modo a crescer e ser um ser melhor. Melhor por que me faz sentir FELIZ e não propriamente porque  quero ser perfeita. São motivos diferentes, e acredito que um é mais eficaz do que outro.
Tudo isto faz parte da minha forma de estar grata, agradecer ao Universo pelo facto de estar no planeta Terra, a cumprir as várias missões com as quais me comprometi.
- Estar grata por estar viva: a missão de que a minha vida=caminhada só pode ser vivida por mim; ter consciência da responsabilidade do que é ter nas minhas mãos a existência de um ser, que desta vez se chama Ana Maria.
- Estar grata por ter encontrado aquilo que me faz sentir viva (alguns chamam dar sentido, motivação, felicidade): dar a mão ao outro que tem sido vivido de muitas formas. Como mãe, quando a minha função é dar o meu melhor apoio para que outro ser se erga da melhor maneira para ele; como amiga, partilhando toda a minha experiência como ser; como companheira, construindo ao lado e com o outro, o que ambos desejamos um para o outro; como escritora, quando através das palavras posso  partilhar o que Sou; como filha e irmã, quando recebi da forma que conhecia o que os meus pais e irmãos me deram; como trabalhadora de outrem, executando as minhas tarefas da melhor forma e com entrega. E, através de tantas outras “personnas” que estão em mim.
- Estar grata por não ter desistido de mim, como ser humano: uma vez que ao caminhar, a consciência de que esta dimensão é densa e nem sempre facilita a tarefa de aprender a saber viver, como descobrimos que é o truque.
- Estar grata por ter vivido sempre com aquilo que um dia descobri o que chamam de Fé: sim, durante algum tempo, interrogava-me e aos outros sobre o que era isso que as pessoas diziam: eu tenho fé! Aquilo fazia-me espécie, como usamos dizer. Um dia descobri: afinal, eu sinto/tenho isso, desde que me lembro que sou “gente”. Partilho desta forma: foi o que sempre me deu Força para continuar a minha busca – quem sou eu? O que faço aqui? - e não desistir de nada do que acredito.
Posso partilhar contigo, a forma como sinto essa gratidão, se é que podemos classificar dessa forma. Desde sempre (quer dizer desde que sou consciente, que uso a memória consciente) me lembro ligada a “casa”, ter saudades de viver em pleno AMOR (aqui não é uma emoção ou sentimento), de acreditar que este planeta e os seus habitantes podem viver em equilíbrio e harmonia. A força que encontro em mim,  em todos os momentos que senti sofrimento, injustiça, revolta, a dor que nos faz parar.
Mesmo quando sinto a solidão, como humana, sei que não estou só, quando chorava e  me sentia frágil e tantas outras emoções que tu conheces. Tenho esse poder em mim. Podes chamar-lhe o nome que quiseres, o fundamental é mesmo aliares-te a ele e continuares, de cabeça erguida, o teu caminho por que tens tudo o que precisas dentro de ti. Eu descobri isso e sim, acredito que essa “gratidão é a memória do coração” (como disse Antístenes de Atenas), aquilo que nos alimenta. Tenho-lhe chamado de AMOR.
Vejo isso no mar, na música, na arte, em mim e no outro – tudo isto faz parte do ser que SOU. 
O meu crescimento, como Ana, teve muitos desafios, e estou grata por ter tido os pais que tive, porque sem eles terem sido da forma como foram, eu não teria aprendido o que aprendi e cresci, e da mesma forma, hoje, sei que tudo o que vivi teve essa função. Não me arrependo de nada do que fiz (por acreditar que o arrependimento não tem nenhuma utilidade) porque descobri que iria acontecer da mesma forma, porque isso é aceitar como sou e que me sinto orgulhosa de me ter permitido escolher esse caminho.
Estou grata por todos os seres que possa ter “incomodado” pelas tentativas de aprendizagem e que sem isso não teria evoluído. Deixei de dizer que tenho defeitos, que cometi erros, por ter descoberto e assumido, que sou uma aprendiz. 
Adoro aprender e a sede que tenho de procurar e viver a aventura de ser quem Sou, ajuda-me no encontro comigo própria, que alguns dizem ser o encontro com o nosso Eu Superior.
Creio que quando manifestamos que é muito bom sentirmos tudo o que nos faz nascer um sorriso, revela a gratidão por tudo.
Sinto-o como o oxigénio que corre nas minhas veias – esta é a minha definição de gratidão.

Ana Guerra
(escrita sem acordo ortográfico)
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